aRede aRede aRede
aRede
Papel higiênico e bituca levam PF a identificar bandidos

Cotidiano

14 de março de 2018 08:59

Da Redação

  • Comentários
    0 compartilhados
  • Imprimir

Relacionadas

TSE adia reunião com campanhas de presidenciáveis

Temer prevê transição tranquila no governo

Unicesumar realiza campanha de conscientização sobre cola

Cida assegura transição transparente
Maioria de adolescentes acompanhados na atenção básica se alimenta mal
Bandidos armados fazem arrastão em posto de combustíveis
Compra do imóvel com o FGTS ainda gera dúvidas
Material revelou que ao menos 32 pessoas, entre elas os 7 identificados até o momento, participaram do assalto/Foto: Reprodução Estadão Foto:
PUBLICIDADE

A identificação é resultado do trabalho inédito dos peritos criminais do laboratório de genética forense do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF

Os DNAs achados em um cabo de barbeador, num gargalo de garrafa de cerveja, na bituca de um cigarro, numa toalha, em uma xícara e em um pedaço de papel higiênico usado levaram a Polícia Federal a identificar sete membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) que participaram do assalto à empresa de transporte de valores Prosegur, em Ciudad del Este, no Paraguai. Um policial e três bandidos morreram em abril de 2017 no roubo, considerado o maior da história do país pelas autoridades paraguaias.

A identificação é resultado do trabalho inédito dos peritos criminais do laboratório de genética forense do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF. Embora não abra informações sigilosas sobre os bandidos, o perito Ronaldo Carneiro, responsável pelo laboratório, afirma que é a primeira vez que esse tipo de tecnologia é utilizada em uma investigação contra uma grande organização criminosa ligada ao narcotráfico. Esses e outros vestígios foram apreendidos em uma casa no bairro San José, perto da sede da Prosegur, usada como “quartel-general” pelos criminosos.

Esse material revelou que ao menos 32 pessoas, entre elas os 7 identificados até o momento, participaram do assalto. Com cenas cinematográficas, o roubo terminou com pelo menos 19 carros incendiados nas redondezas da empresa, disparos de armas pesadas, como metralhadoras ponto 50 (capaz de abater helicópteros), além de explosões que derrubaram parte do prédio da Prosegur.

À época, a polícia paraguaia chegou a divulgar que cerca de US$ 40 milhões (R$ 130 milhões) teriam sido roubados. A empresa, porém, declarou oficialmente ao Ministério Público que o valor subtraído foi de US$ 11,7 milhões (cerca de R$ 38 milhões) em dinheiro em espécie - cédulas de dólares, reais e guaranis, a moeda paraguaia - e cheques. Só U$ 1,5 milhão (R$ 4,9 milhões) foi recuperado.

Processo

O mapeamento do DNA foi feito de três formas. No caso dos suspeitos que haviam sido presos logo após o crime, na tentativa de fuga, o trabalho dos peritos foi comparar os perfis genéticos achados nos vestígios com os coletados dos suspeitos na hora da prisão.

O Estado apurou que essa confirmação serviu para que a Justiça mantivesse na cadeia José Roberto Monteiro, Alex Sandro Santos, José Luis Cardozo Almeida e Denílson Moreira Días. Outros dois bandidos mortos no confronto com a polícia também foram identificados como autores do assalto dessa forma. São eles: Claudinei Luciano Pereira e Dyego Santos Silva.

Já Alcides Pereira da Silva Júnior, apontado como um dos líderes, foi identificado graças à integração entre o banco de dados de perfis genéticos da PF com a Rede Integrada de Bancos de Dados de Perfis Genéticos, que armazena os dados da Polícia Federal e de outros 19 bancos estaduais. Sob responsabilidade do Ministério da Justiça, a rede foi acionada assim que os peritos em genética forense terminaram o procedimento laboratorial.

Dias após o assalto, ao inserir essas informações na rede, os peritos receberam a informação de que aquele perfil genético havia sido achado na cena de outro crime, no Estado de São Paulo em 2013. Após a confirmação sobre a relação do DNA dos dois crimes, descobriram que o perfil genético era idêntico ao de Silva Júnior, preso um dia após o roubo no Paraguai, ao tentar viajar com documento falso em Cascavel (PR).

O próximo passo, diz Carneiro, é esperar para que novos perfis genéticos a serem coletados em outras cenas de crime sejam incluídos na rede nacional para que as 25 pessoas que frequentaram o imóvel dos bandidos sejam identificadas.

Denúncia

O Ministério Público (MP) do Paraguai deve apresentar até maio a denúncia formal à Justiça. A ideia é pedir transferência de competência para que os criminosos sejam processados no Paraguai, porque o Brasil não tem acordo de extradição e os suspeitos têm pendências com a Justiça brasileira, o que reduz a possibilidade de eles serem julgados lá.

Os nove suspeitos foram indiciados por roubo com morte e associação criminosa, puníveis com 8 a 30 anos de cadeia. Também foi indiciado o argentino Néstor Bustamante, que não tem vínculos claros com o PCC, mas forneceu a casa onde o bando preparou a ação.

Informações Estadão

PUBLICIDADE
IVC Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização